Coronavírus: Número de casos aumenta no Amazonas e governo vê colapso no sistema de saúde

Em apenas quatro semanas o número de infectados pelo novo coronavírus, no Amazonas cresceu significativamente tornando o estado da região Norte com o maior número de casos confirmados, 532 pacientes positivos para a covid-19 e 19 óbitos, 474 só em Manaus e 59 no interior. As cidades que já identificaram casos de covid-19 são: Manacapuru (28), Itacoatiara (8), Santo Antônio do Iça (7), Parintins (4), Iranduba (3), Tonantins (3), Anori (1), Boca do Acre (1), Careiro da Várzea (1), Novo Airão (1) e São Gabriel da Cachoeira (1). Só nesta segunda-feira (6), foram 115 novos casos, confirmando o aumento exponencial previsto pela Secretaria de Saúde do Estado, que espera um colapso no sistema de saúde nos próximos dias. 

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, de máscaras, usou as redes sociais nesta segunda-feira (6) para publicar um vídeo, onde anuncia que a rede hospitalar do Estado já entrou em colapso. Já o secretário de Saúde do Estado, Rodrigo Tobias, informou também nesta segunda-feira, durante transmissão ao vivo pela internet, que isso deve ocorrer nos próximos dias. “O sistema ainda não entrou em colapso nessa ideia de que não possuem leitos para quem precisa, mas amanhã esse número pode aumentar”, reconheceu o secretário.

O Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz, na zona norte de Manaus, é o local de referência para o tratamento dos casos mais graves da covid-19. São 82 pessoas internadas com o novo coronavírus, na unidade, além de 144 com suspeitas de estarem com a doença. De acordo com o secretário de saúde, além da covid-19, o Amazonas tem outros vírus circulando ao mesmo tempo. “Precisamos entender que, além do coronavírus, temos outros vírus de síndrome respiratória aguda que se confundem com o quadro clínico da covid-19. Nossos leitos estão com os casos confirmados, os suspeitos e os demais casos”, constatou Tobias.

Desde 16 de março, o Governo do Amazonas tem publicado decretos determinando a suspensão de atividades com aglomerações, como aulas, eventos e até o fechamento de estabelecimentos comerciais de serviços ou produtos não essenciais. Os transportes fluviais intermunicipal e interestadual também foram suspensos desde o dia 19 de março, o que não evitou que o interior fosse acometido. São 59 casos em outros 12 municípios do estado.

Os casos mais graves são transportados para Manaus, enquanto os leves recebem o atendimento nas unidades locais. Um deles foi de um bebê de um ano e quatro meses, em Parintins (a 369 quilômetros a leste de Manaus). Ele recebeu alta no último domingo (5), quando era o terceiro caso confirmado no município.

Também no interior está o primeiro caso confirmado de uma indígena infectada. Ela possui 20 anos, pertence à etnia Kokama, no município de Santo Antônio do Iça (880 quilômetros a oeste de Manaus). A suspeita é que ela tenha contraído o vírus após contato com um médico do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) que testou positivo. A indígena e duas aldeias inteiras da região estão isoladas. Aproximadamente 1 mil indígenas vivem no local. 

Efeitos em Manaus

O centro comercial e turístico de Manaus reduziu aos poucos as atividades, principalmente após o decreto de suspensão do comércio não essencial. Não se pode, entretanto, dizer o mesmo sobre os bairros mais periféricos da capital amazonense, com o fluxo praticamente normal em áreas comerciais. Para ampliar a recomendação de isolamento, a Polícia Militar iniciou nesta segunda-feira (6) uma operação para orientar pequenos comerciantes a ficarem em casa.  

A diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Rosemary Pinto, ressaltou que quanto menos as pessoas saírem de casa, menor será a transmissão do vírus, diminuindo a necessidade de leitos  de UTI para casos graves. 

Rosemary lembrou ainda que todas as 19 pessoas que morreram em decorrência da covid-19 estavam em grupos de risco. Por isso, a necessidade de proteção e isolamento de idosos e de pessoas que têm algum tipo de comorbidade.

“A gente pode reduzir esses números e evitar a necessidade de UTI, de internação e o agravamento e até mesmo a morte se nós ficarmos em casa. Se obedecermos todas as medidas que estão sendo preconizadas pelos decretos do Governo do Amazonas, se nós evitarmos nos expor. O vírus está circulando, as pessoas estão circulando com o vírus, e a tendência é de agravamento”, afirmou a diretora da FVS-Am.

Segundo dados divulgados pela FVS, durante coletiva de imprensa online, nesta segunda-feira (6), havia 82 pessoas com diagnóstico confirmado internadas, sendo 45 na rede privada e 37 na rede pública. Desse total de internados, 38 estão em leitos de UTI, 22 em hospitais particulares e 16 em hospital público (Delphina Aziz).

Onde buscar tratamento em Manaus:

A população conta agora com o ipok, um aplicativo inovador de Saúde, cujo objetivo é facilitar o dia a dia de usuários que precisam agendar uma consulta médica de forma prática, ágil e segura. Além, de avaliar o atendimento de um profissional de saúde, efetuar buscas por profissionais especializados é possível acompanhar notícias atualizadas da área de saúde. No app você pode agendar consultas com infectologistas em Manaus, entre outras especialidades. 

Atenção: A informação descrita acima, serve apenas como apoio e não, substitui em hipótese alguma, a consulta médica com um profissional especializado. Para um diagnóstico preciso, procure uma avaliação médica de sua preferência ou em alguma unidade de saúde pública mais próxima da sua região.

FONTE: Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), Governo do Amazonas