Leptospirose: causas, sintomas, prevenção e tratamento da doença


Nesse período de chuvas constantes na região Norte, em detrimento do inverno amazônico, é difícil evitar o contato com a possível água contaminada por lixos e entulhos, que acabam obstruindo a entrada de esgotos e bueiros, alagando diversas áreas da cidade. Segundo especialistas, as pessoas precisam ter algumas precauções, já que a chuva pode trazer também inúmeras doenças e problemas de saúde, como a leptospirose, hepatites infecciosas, diarréias agudas, febre tifóide, doenças dermatológicas e respiratórias, e até chikungunha, zika e dengue, já que o aumento de água parada em muitos locais favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

A leptospirose é uma doença infecciosa febril aguda que resulta da exposição direta ou indiretamente a urina de animais (principalmente ratos) infectados pela bactéria Leptospira; sua penetração ocorre através da pele com lesões, por longos períodos em água contaminada ou através de mucosas.

Os sintomas da doença demoram a se manifestar. Segundo o Ministério da Saúde, o período de incubação da leptospirose, ou seja, tempo desde a infecção da doença até o momento que a pessoa apresenta os sintomas, pode variar de 1 a 30 dias. No entanto, ocorre entre 7 a 14 dias após o contato com a água contaminada. As manifestações clínicas variam desde formas assintomáticas e subclínicas até quadros graves, associados a manifestações fulminantes que são divididas em duas fases: precoce e tardia.

A doença apresenta elevada incidência em determinadas áreas além do risco de letalidade, que pode chegar a 40% nos casos mais graves. Sua ocorrência está relacionada às condições precárias de infraestrutura e alta infestação de roedores infectados.

No Brasil, a leptospirose é uma doença endêmica, com mais incidência em períodos chuvosos, principalmente nas capitais e áreas metropolitanas, devido às enchentes associadas à aglomeração populacional de baixa renda, às condições inadequadas de saneamento e à alta infestação de roedores infectados.

Quais são os sintomas da leptospirose?

os principais sintomas da fase precoce são:

Febre alta

  • Mal-estar
  • Dor de Cabeça
  • Dor no tórax
  • Desidratação
  • Dor muscular, principalmente nas panturrilhas
  • Falta de apetite
  • Náuseas e Vômitos

Podem ocorrer também diarréia, olhos vermelhos (hiperemia conjuntival), tosse, cansaço, calafrios, exantemas (manchas vermelhas no corpo), meningite.

Em geral, a leptospirose é autolimitada, costuma evoluir bem e os sintomas regridem depois de três ou quatro dias. Entretanto, essa melhora pode ser transitória. Icterícia, hemorragias, complicações renais, torpor e coma são sinais da forma grave da doença, também conhecida como síndrome de Weil, geralmente cerca de 15% dos pacientes com leptospirose apresentam a forma grave da doença.

Modo de transmissão

Pelo contato com água ou solo contaminados pela urina dos animais portadores, mas raramente pelo contato direto com sangue, tecido, órgão e urina de animais infectados. A penetração da leptospira se dá através da pele lesada ou mucosas, mas também pode ocorrer através da pele íntegra quando imersa em água por longo tempo.

É possível a transmissão da doença de uma pessoa para outra?

Não, a leptospirose não é contagiosa. Não há transmissão de uma pessoa para outra. É transmitida entre os animais e dos animais para o homem, sempre pelo contato da urina do animal com a pele do homem.

Quais são as complicações da Leptospirose?

  • Insuficiência renal aguda - não oligúrica e hipocalêmica
  • Insuficiência renal oligúrica por azotemia pré-renal
  • Necrose tubular aguda
  • Miocardite - acompanhamento ou não de choque e arritmias por distúrbios eletrolíticos
  • Pancreatite
  • Anemia
  • Distúrbio neurológicos (confusão, delírio, alucinações e sinais de irritação meníngea)

A leptospirose é uma causa relativamente frequente de meningite asséptica. Raramente ocorrem: encefalite, paralisias focais, espasticidade, nistagmo, convulsões, distúrbios visuais de origem central, neurite periférica, paralisia de nervos cranianos, radiculite, síndrome de Guillain-BarréGuillain-Barré e mielite.

Qualquer pessoa pode ter a doença?

Sim, qualquer pessoa pode pegar leptospirose. Tem-se observado que a maior freqüência de casos acontece em indivíduos do sexo masculino, na faixa de 20 a 35 anos, provavelmente pela maior exposição a situações de risco, quer seja em casa, quer seja no trabalho.

A não higienização de latinhas de refrigerantes, sucos, cerveja ou água pode causar leptospirose?

Se for ingerida, a Leptospira morre ao entrar em contato com o suco gástrico. A possibilidade da pessoa se infectar bebendo em latinhas contaminadas com a urina de ratos é teoricamente possível, se houver uma ferida na boca, que possa permitir a entrada da Leptospira no organismo pela circulação sangüínea. Apesar desse risco teórico, até o momento não foram comprovados casos de transmissão de leptospirose por latinhas de cerveja, refrigerantes ou outras bebidas envasadas.

De qualquer modo, é essencial que se lave bem com água limpa qualquer latinha ou recipiente antes de ser levado à boca, para não se correr o risco de contaminação por algum tipo de bactéria. Este hábito de higienização não deve isentar os comerciantes de verificarem as condições de armazenamento de seus estoques, das condições de acondicionamento de seu lixo e de manter implantado um sistema de controle de roedores em todas suas instalações.

Como é feito o tratamento da Leptospirose?

Para os casos leves, o atendimento é ambulatorial, mas, nos casos graves, a hospitalização deve ser imediata. A automedicação não é indicada. Ao suspeitar da doença, procure uma unidade de serviço hospitalar o quanto antes.

Os médicos indicam o uso de antibióticos como, amoxicilina e penicilina ou medicamentos com estreptomicina que elimina a bactéria dos rins e, consequentemente a transmissão da doença. É importante também manter o corpo hidratado e evitar substâncias que contenham ácido acetilsalicílico, pois aumentam o risco de sangramentos.  

A vacina só está disponível para animais como cães, bovinos e suínos. Esses animais devem ser vacinados todos os anos para ficarem livres do risco de contrair a doença e diminuir o risco de transmiti-la ao homem.

Recomendações

Quais são as principais medidas para evitar ratos:

  • Ferva ou coloque algumas gotas de hipoclorito de sódio ou de água sanitária antes de beber ou cozinhar;
  • Lave bem os alimentos, principalmente frutas e verduras que serão consumidas cruas; 
  • Embale o lixo de forma correta;
  • Mantenha sempre limpo os locais onde o lixo doméstico é depositado;
  • Vacine seu animal e mantenha limpas as vasilhas, onde são servidos alimentos e água dos pets;
  • Use luvas e botas de borracha em ambientes que possam ser reservatórios da Leptospira;
  • Mantenha tampadas cisternas ou caixas d’água;  
  • Procure atendimento médico, se suspeitar de infecção pela bactéria da leptospirose.
  • Não acumular entulho no quintal ou área externa;
  • Manter limpos e desmatados os terrenos baldios;
  • Jamais jogar lixo à beira de córregos, pois além de atrair roedores, o lixo dificulta o escoamento das águas, agravando o problema das enchentes.

Onde buscar tratamento em Manaus:

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Atenção: A informação descrita acima, serve apenas como apoio e não, substitui em hipótese alguma, a consulta médica com um profissional especializado. Para um diagnóstico preciso, procure uma avaliação médica de sua preferência ou no serviço público de saúde.

FONTE: Ministério da Saúde, Vigilância Sanitária